terça-feira, 31 de outubro de 2017

cultura e política

Cultura e política sempre andam juntas

Artisticamente, tudo chegou tarde no Brasil,
em termos de modernidade: poesia, literatura,
pintura, música, etc.Algumas coisas chegaram
ainda mais tarde, como o cubismo que, trazido
por Ismael Neri-quando esse estilo já era
quase coisa "batida" em terra européia- foi
quase ignorado. Veio a semana de 22.Anita Malfatti
trouxe novidades estilísticas em 1917 que pareceram
aos olhos incultos e atrasados como coisa de outro
planeta.Villa só foi mesmo reconhecido depois de
obter sucesso na Europa.As obras apresentadas
na semana de 22 nem eram tão radicais assim,
perto do que já era feito lá fora.Politicamente,
vivíamos uma espécie de estado híbrido, onde
os traços de escravagismo permeavam as relações
 sociais.Não acredito que tenha havido revolução
burguesa no Brasil.Nem poderia ter havido, com
aquele tipo de burguesia que habitava por aqui.
Revoluções demandam um grande tempo e só se
concretizam quando, após longo processo de
luta ideológica, cria-se uma nova mentalidade
de mundo.Senão, ficam sempre em fragilidade e
o retrocesso é inevitável.Vide exemplo russo.
Revoluções, sejam políticas ou culturais,
mudam coisas drasticamente(de forma superficial),
podem matar muita gente e, no final, mudar muito
menos do que se sonhava.Como disse, as coisas
modernas de arte sempre chegaram tarde por aqui.
A escravidão foi embora-foi mesmo?- tarde demais.
Ora, quem disse que a democracia já chegou por
aqui?Democracia, assim como revolução, não é
apenas coisa de papel escrito.Assim como a arte,
não se resume apenas em teoria, precisa de prática.
Por aqui tudo parece que vai lento.A tecnologia
chega mais rápido apenas porque interessa ao 
lucro ou ao poder.Política e cultura sempre
andam juntas, indissociáveis.Barbárie política
pode implicar em degeneração cultural.No fundo,
o Brasil viveu sempre e vive uma luta entre
o arcaico e moderno.E o moderno nunca pode,
de fato, ter seu canto no pódio garantido.Uma
luta entre o arcaico e o moderno, seja na arte,
seja na política, seja na vida ou nas relações
sociais.O Brasil é  como uma ópera trágica, com
linhas melódicas muito,muito longas que não
se resolvem.E os solos não são equilibrados.
Problemas de amadorismo de escrita.O que
prova que deus não é brasileiro, ou não existe
ou não passa de incompetente.Agora com procuração
na mão de cretinos ou bandidos.Nosso verde deveria
ser vermelho.Quem sabe as queimadas resolvam o 
problema e, enfim, sejamos obrigados a por essa
cor(tão presente em tantas bandeiras) no nosso

lindo pendão de desesperança.


Ernst Barlach, um grande artista vítima da História

  Obras de Ernst Barlach.Figura de proa do expressionismo alemão, escultor, gravurista, desenhista, dramaturgo e poeta, Barlach gozou de prestígio nos anos subsequentes à primeira guerra.Com o advento do nazismo, sua obra foi atacada como sendo exemplo de arte degenerada.Obras suas foram retiradas de museus, proibido de expor ou editar.Grande e prolífico artista, morto aos sessenta e oito anos, pouco antes do início da segunda guerra mundial, em 1938.Morreu pobre e esquecido na Alemanha de Hitler.Hoje, cultuado em sua terra natal.Barlach tinha origem eslava e denunciou em seus trabalhos os horrores da primeira guerra, a pobreza e a miséria da Alemanha da depressão.Dotado de profunda religiosidade humanística, tanto suas esculturas como trabalhos gráficos são pungentes, precisos, elegantes e dramáticos..Obras suas participaram da hodienta exposição de arte degenerada, promovida pela canalha de Hitler e seus medíocres acólitos.Suas esculturas, na grande maioria, são feitas em madeira, com a mestria de grande artesão que era.Unia a tradição do primitivo gótico germânico a novas formas de expressão plástica da arte moderna do início do século vinte.Um grande artista, massacrado por um período da história, hoje transformado numa glória da história da arte moderna alemã, do expressionismo e da arte universal.