Voltado, principalmente, a apresentar desenhos, pinturas, imagens e ideias de Sergio Marques da Silva Junior.Usa o nome artístico de Marques da Silva.
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
terça-feira, 12 de dezembro de 2017
terça-feira, 21 de novembro de 2017
vagos pensamentos
Às vezes sinto uma estranha vontade de chorar pela passagem do tempo.Não pelo tempo que se vai mas pelo que nos devora.Uma transitoriedade sem sentido que faz da nossa vida uma suspensão no espaço, do futuro uma inexistência por um presente que nunca se define bem.
Por fim, resta pouca coisa de nossa vida.Podemos então restringir nossos prazeres às coisas significativas dela.Com isso cobramos menos dela, vida, menos de nós mesmos, acidentes no meio dela.E, caso fosse função da vida adquirir coisas, por que não as levamos todas às nossas covas?
Os faraós com suas manias de riquezas perenes, possíveis de serem usufruídas em outra vida, tinham que transformar seus mausoléus em autênticos armazéns para guardar suas riquezas.Teriam que enterrar um chefe de almoxarifado junto para contabilizar tudo...
Tanto esforço, ganância ou vaidade e, no final, tudo reduzido a silêncio e ossos quebradiços.O que sobra desse espetáculo furioso?
Sempre considerei que vivemos por meio de três ânsias: de amor, justiça e fraternidade.Amor por qualquer coisa, seja ele ente ou atividade; justiça como uma forma de igualar todos os seres numa só perspectiva de convivência humana mais racional; fraternidade como afirmação de nossa compaixão pela humanidade sofredora.Para depois constatar a fragilidade do amor, pelas insolvências dos desejos humanos, a justiça como sendo a prerrogativa da força sobre o mais fraco, a fraternidade como uma névoa que se desfaz pelos poderes do egoísmo.
A beleza de uma mulher só é realmente captada , enquanto emoção estética, quando observada de forma desinteressada.Mesmo quando essa mulher é íntima de nós, sua beleza só sobrevive quando a vemos como uma emanação de algo que nunca nos pertence, algo que, quando mais nos aproximamos dela, mais se afasta.Daí que beleza é sempre prazer e dor.A beleza só sobrevive pelo espanto e pelo mistério.Mas é insuficiente para manter o amor, enquanto forma mais perene.Esse de fato prescinde da beleza estética, reside firme nos corações mais fortes.Ah, mas que diabo de coração fraco que tenho....
Cada um tem o direito de se refestelar com a carniça que lhe convém.Nem preciso me atualizar porque já estou velho demais e há muito, muito tempo que não suporto como nos conformamos com pouco por aqui, nesta porcaria de trágica ascendência histórica...Há hienas ilustradas, sofisticadas ou simplesmente toscas, para todos os gostos; inclusive vegetarianas, pós-modernas, metidas a descoladas, alternativas, mas no fundo tendo a mesma origem animal, fedendo um bocado(tanto faz se física ou moralmente)se adaptando à podridão nossa de cada dia..No fundo, o fedor é universal, apenas o perfume desodorante dos modos ou forma de mentir alivia o ar.Apenas surgiram do fundo das savanas tropicais brasílicas umas mais ferozes, mais sedentas de sangue, mais vorazes..A mesma irracionalidade animal de sempre.Enfim, os grandes predadores sempre dominarão savanas ou florestas.Pelo menos até que elas acabem.Aliás, consultando manuais de zoologia(assim como de história) percebemos que há diferenciações entre elas, hienas, por base genética.Mas as hienas originais, não as nossas, têm importância e função na natureza.As nossas são inúteis, o mundo e a natureza não se ressentiriam de sua ausência súbita.Não se deve caçar hienas.As africanas, bem dito..As brasileiras, apenas as desprezo.Sem diferenciar, não me preocupo em caçar o que desprezo.O tempo se encarrega de fazer com que tudo vire carcaça.
Para mim, pessoalmente, há tempos que a preocupação não é o colapso do comunismo.Ou dos comunismos, já que o marxismo apostava em um determinado tipo de comunismo e o pessoal costuma colocar no mesmo balaio um monte de gente, ditas de esquerda, que nada têm a ver com comunismo. Mesmo sem o "perigo vermelho" o mundo continua muito caótico.A preocupação maior que me vem à mente é o colapso do sistema capitalista e de seus sistemas de representatividade política, levando a eventuais situações de barbárie e caos, com o fim de valores e conceitos democráticos, além dos mais libertários, conquistados a duras penas.Toda forma de utopia carrega em si elementos perigosos de autoritarismo pelo fato de que uma utopia é uma idealização, e idealizações podem levar à alienação da realidade e a manipulação desta por forças e lideranças messiânicas, reformadoras radicais e ditatoriais.Afinal, o nazismo também era utópico e anti-comunista.Por isso, nada impede retrocessos pois as forças destrutivas e de retrocesso sempre estão presentes em qualquer agrupamento ou situação humana coletiva, em qualquer organização econômica, mesmo que essa seja um simples acampamento na praia. A tolerância não costuma ser cultivada no cotidiano. Até mesmo entre intelectuais, coisa que é de se lamentar profundamente. Acho que até mesmo um Platão não era tão tolerante assim com seus pares; apenas acreditava que a iluminação pela razão dialética por si só nos levaria além das sombras da caverna, longe do mundo dos sentidos, esse mesmo mundo que dá a tônica dominante de nosso universo social e econômico modernos..Daí acreditar hoje tão importante relevar o pensamento de um Freud- pensamento pessimista, diga-se a bem da verdade- tanto quanto o de qualquer pensador defensor de socialismo ou capitalismo; por sinal atacado de todos os lados, pró-capitalistas ou pró-socialistas.Como também do pensamento dos individualistas ferozes ao estilo de um Nietzsche, mas sempre com ressalvas.Freud que, por sinal, nada tinha de utópico, apesar de suas inquestionáveis limitações de análise sociológica ou econômica; contudo, acreditando que apenas a razão nos salva..O Freud que foi o que foi por causa dos gregos, tanto quanto Marx também o foi.Pois , como dizia o Sartre velho e próximo da morte, fazemos grandes revoluções e guerras, matando um número inimaginável de pessoas, mas mudamos,no final das contas, pouco a cabeça das pessoas. Daí, talvez, tantos poetas desesperados em nossas histórias literárias.O mundo precisa mais de reflexão do que de doutrinação.E , por aqui, nós sem uma coisa ou outra, restando apenas a esculhambação.
Por fim, resta pouca coisa de nossa vida.Podemos então restringir nossos prazeres às coisas significativas dela.Com isso cobramos menos dela, vida, menos de nós mesmos, acidentes no meio dela.E, caso fosse função da vida adquirir coisas, por que não as levamos todas às nossas covas?
Os faraós com suas manias de riquezas perenes, possíveis de serem usufruídas em outra vida, tinham que transformar seus mausoléus em autênticos armazéns para guardar suas riquezas.Teriam que enterrar um chefe de almoxarifado junto para contabilizar tudo...
Tanto esforço, ganância ou vaidade e, no final, tudo reduzido a silêncio e ossos quebradiços.O que sobra desse espetáculo furioso?
Sempre considerei que vivemos por meio de três ânsias: de amor, justiça e fraternidade.Amor por qualquer coisa, seja ele ente ou atividade; justiça como uma forma de igualar todos os seres numa só perspectiva de convivência humana mais racional; fraternidade como afirmação de nossa compaixão pela humanidade sofredora.Para depois constatar a fragilidade do amor, pelas insolvências dos desejos humanos, a justiça como sendo a prerrogativa da força sobre o mais fraco, a fraternidade como uma névoa que se desfaz pelos poderes do egoísmo.
A beleza de uma mulher só é realmente captada , enquanto emoção estética, quando observada de forma desinteressada.Mesmo quando essa mulher é íntima de nós, sua beleza só sobrevive quando a vemos como uma emanação de algo que nunca nos pertence, algo que, quando mais nos aproximamos dela, mais se afasta.Daí que beleza é sempre prazer e dor.A beleza só sobrevive pelo espanto e pelo mistério.Mas é insuficiente para manter o amor, enquanto forma mais perene.Esse de fato prescinde da beleza estética, reside firme nos corações mais fortes.Ah, mas que diabo de coração fraco que tenho....
Assim como não se banha duas vezes na mesma água do rio, não se encontra duas vezes a mesma pessoa no mesmo caminho, não se faz duas vezes a mesma coisa na mesma situação.No fundo, desde os gregos pré-socráticos até os dias de hoje, permeia-se nossa atitude entre ver tudo em movimento ou tudo se repetindo.Desde nossa vida individual até os eventos históricos e coletivos em que estamos envolvidos, sempre uma opção entre atuar dentro de um movimento em ação ou se encontrar um barranco para, recostado, ver tudo passando e voltando a ser o que, aparentemente, sempre foi.Por mais determinismos que nos impulsionem, sempre há a possibilidade de fazer algo por nossa vontade e deliberação, mesmo que isso implique em dar com os burros na água.Essa mesma água que nunca está parada, mesmo numa poça, já que ela, simplesmente, com nada a se fazer, tem como destino...evaporar.
Sempre é mais fácil capitalizar o ódio do que o amor.O ódio tende à destruição, à anulação do que é vivo e expansivo, ao nada, à imobilidade ou inércia sem vida, à inorganicidade.Sua vocação é desligar antes que ligar, para, enfim, evitar a multiplicidade..O amor é naturalmente expansivo, orgânico e tende naturalmente a ligar.O ódio desenvolve forças dinâmicas, físicas, químicas e energéticas que, soltas e sem aproveitamento pelo amor, apenas resultam em vazio e silêncio,Administrar o ódio é a única forma de amar.Inocência nossa acreditar que não há ódio dentro de nós, assim como há células ou micro-organismos lutando pela desagregação de nosso próprio corpo.A nossa luta não é para morrer- já que o fim é inevitável- mas para se continuar vivo.O que ocorre nesse nosso estranho e silencioso mundo interior também ocorre no exterior, na vida pessoal, social, entre povos, grupos, classes, famílias ou nações.O amor é entrópico, o ódio é entálpico, para quem se interessa por física e termodinâmica. Homens e formigas são bichos estranhos, parecem agir contra as leis cósmicas que conhecemos.O grande mistério não é a irracionalidade mas sim o seu contrário, a racionalidade, a única coisa que pode nos salvar.Se é que podemos ou queremos nos salvar.Mas, no fim, tudo é mistério.
A gente sempre corre o risco de se acomodar com a repressão externa(política, cultural, social e outras) assim como fazemos com nossas mediocridades.Aí deixamos de buscar os extremos, ficando apenas no médio.E no médio a mediocridade se refestela.Para gaudio dos políticos, especialmente os reacionários.
Sobre a forma de ser hiena
Cada um tem o direito de se refestelar com a carniça que lhe convém.Nem preciso me atualizar porque já estou velho demais e há muito, muito tempo que não suporto como nos conformamos com pouco por aqui, nesta porcaria de trágica ascendência histórica...Há hienas ilustradas, sofisticadas ou simplesmente toscas, para todos os gostos; inclusive vegetarianas, pós-modernas, metidas a descoladas, alternativas, mas no fundo tendo a mesma origem animal, fedendo um bocado(tanto faz se física ou moralmente)se adaptando à podridão nossa de cada dia..No fundo, o fedor é universal, apenas o perfume desodorante dos modos ou forma de mentir alivia o ar.Apenas surgiram do fundo das savanas tropicais brasílicas umas mais ferozes, mais sedentas de sangue, mais vorazes..A mesma irracionalidade animal de sempre.Enfim, os grandes predadores sempre dominarão savanas ou florestas.Pelo menos até que elas acabem.Aliás, consultando manuais de zoologia(assim como de história) percebemos que há diferenciações entre elas, hienas, por base genética.Mas as hienas originais, não as nossas, têm importância e função na natureza.As nossas são inúteis, o mundo e a natureza não se ressentiriam de sua ausência súbita.Não se deve caçar hienas.As africanas, bem dito..As brasileiras, apenas as desprezo.Sem diferenciar, não me preocupo em caçar o que desprezo.O tempo se encarrega de fazer com que tudo vire carcaça.
O semi-analfabeto político
Fala-se muito sobre o analfabeto político.Mas o que dizer então do semi-analfabeto político?.Aquele que, tentando se despir de emocionalismo de momento ou de influência de propaganda ou ilusão, procura refletir sobre uma posição a tomar, mas vai só até....a página 2.Não consegue ir mais a fundo, a complexidade o ameaça e à sua auto suficiência, não logrando com isso descortinar o tecido de interesses que manipulam os poderes aos quais, ele, por vezes bem intencionado, se submete mesmo sem perceber. Com frequência adere ao discurso oficial autoritário e autorizado com viés democrático e elucidador.Daí que, mesmo posando de anti-sectário ou tolerante, aparentemente demonstrando mais consciência que o pleno analfabeto, já estabeleceu dentro de si, dentro dos limites de sua auto-reflexão, uma barreira que o impede de ver além das sombras que se projetam na caverna.O analfabeto nem ao menos tem interesse ou coragem de entrar na caverna.Ou as portas da mesma para ele estão cerradas.O semi toma as sombras que lá dentro vê pela corporeidade que em verdade as produziu.No final, pode não passar, como os demais ,de mais uma vítima de efeitos especiais. Como alguém que fala a língua mas não consegue descrevê-la em símbolos gráficos. E, como sempre, os limites entre ingenuidade e estultice são muito, muito tênues.
Quando não se tem nada, exceto a razão, tudo nos impele para algo além da própria razão.
O homem racional sempre será uma irracionalidade domesticada.
Há gente que diz não acreditar no inconsciente.Normalmente, são as pessoas mais confusas na consciência.Por acreditarem demais na própria consciência.
Entre um pássaro na mão e dois voando, prefiro não inventar nenhuma forma de gaiola artificial
Então, numa conversa com uma amiga, aparentemente anti-convencional e anti-burguesa, ela me vem com o papo de que o que mulher mais aprecia num homem é seu poder ou prestígio.Aí fico na minha, já que poder, para mim, sempre se relacionou mais com algo de mim para mim mesmo, necessidades de meu interior, mais importantes do que a forma como meu interior se impõe ao exterior.E prestígio?Sempre o considerei um acaso e uma prisão para quem o define como estratégia de vida.Logo, é espantoso que eu tenha atraído algumas mulheres. Pelo menos algumas que, definitivamente, pelo menos em algum momento de suas vidas, não deviam pensar como essa minha amiga.Se é que uma pessoa assim de fato pode ser minha amiga.Ou merece sê-lo.
O mundo é feito de ilusão?Talvez estejamos entrando no nível do onírico tecnológico.Aí a ilusão vira uma realidade.Medida financeiramente.
Se pensarmos demais na sexualidade, talvez sejamos
instados a desistir de exercê-la.Malgrada nossa vontade.
O espelho tem sido meu melhor confidente.O problema é sua indiscrição : todo dia a me lembrar o lento trabalho que a morte faz.Essa morte que está sempre dentro da gente, apenas não a percebemos.Porque acreditamos no tempo.
Ah, o Brasil, o Brasil!Nasci na chaga de onde foram feitas as tripas de meu coração.O Brasil, o Brasil!Terra sangrada e abençoada por deus.
Sim!Assim agem os poderosos nessa terra.Querem massas burras e acéfalas, perfeitas para a manobra ou anuência com seus interesses, em geral sempre mesquinhos e gananciosos. Podem fazer uma ou outra concessão, quando a panela de pressão começa a chiar, mas retiram-nas sem o menor pudor ou receio, desde que se mantenha a taxa de retorno do investimento.E para tal é necessário o silêncio, a cumplicidade dos que deformam a consciência pública, os mecanismos propagandísticos de alienação, a desorganização política da sociedade, a criação do espírito justicialista e policialesco, precisam manipular o ressentimento cego dos que não partilham de forma mais justa e racional da riqueza criada no país para atentarem contra seus próprios interesses.De tal forma que vemos que o principal liame entre as classes médias e as mais pobres é a burrice cultivada pelos mais ricos. Para que as classes médias continuem a levar sua vida de merda e as mais pobres aprendam a comê-la.Por isso quando se fala em cortes de verbas, não é necessária nenhuma genialidade para perceber que eles normalmente incidem sobre educação, saúde, cultura.A mentalidade de que há uma grande "senzala" disponível dá segurança aos senhores do poder e do capital.Por isso, é uma maravilha ser rico no Brasil.Pouco imposto e pouca responsabilidade social.Um paraíso!.Mas para isso precisa-se de pouca consciência, pouca educação ou pouca cultura.É tão óbvio que me custa a acreditar nos que, com um mínimo de reflexão, não enxergam isso.No final das contas pensam assim, os poderosos de ontem, hoje e de sempre: se para botar ordem no pedaço não tem um pai, vai mesmo na porrada!
Ora, falar que o mundo está uma porcaria, que vai ficar pior?Bem, aos meus olhos ele nunca foi grande coisa.A vida sim, porque esta ultrapassa a dimensão da existência humana no cosmo.E não é que eu acredite em supra-realidades ou coisas assim, já que sou materialista, ateu e acho que a vida acaba de vez para sempre quando achamos nossa morada definitiva abaixo dos sete palmos. Dá aflição e angústia, mas opto viver com isso.Minha infância foi forjada em cima do espectro da guerra fria e da terceira mundial, do fim do mundo. Acho que quem viveu lá pelos anos cinquenta sofreu bem mais com isso.Vejam só: ainda não acabou. O grande Pascal, filósofo que sempre apreciei e li, não concordaria comigo, diria que abro mão da racionalidade que é posta por um sentido divino no universo.Que fazer, não consigo acreditar, embora respeite a argumentação.Nesse tempo, o fim chegou para muita gente ou coisa que eu desejava não ter fim.Mas o fim do mundo sempre está delineado nos próximos minutos, nos próximos instantes que se sucedem a essas palavras.Vãs, por sinal, como tudo o que é vão e sem sentido na existência, como um estranho véu de absurdidades nos envolvendo.Ah, o fim do mundo não virá tão cedo.O meu chegará antes.Logo, o que sobre é o momento, o que se faz agora.Talvez o Pessoa tenha mesmo razão: viver não é necessário, necessário é criar.Qualquer coisa, talvez, até mesmo uma coleção de selos.Ôpa, quem é que coleciona selos, hoje em dia?
Humildade com a natureza
Mesmo que não queiramos aceitar, não há escapatória: temos de ser humildes com relação à natureza. Tanto exterior como interior; a do mundo, das florestas, montanhas, mares, a interior, do coração humano.Sempre mais forte que nós, mais perdurável na insustentabilidade do tempo que nós.Isso está claro em todas as filosofias, religiões, ciências ou grandes artes.No fundo, todos nós não deixamos de ser uns anjos caídos e criamos demônios, a partir de nossas vísceras, para nos afastar dela, por não nos enxergamos como parte dessa natureza, inclusive da nossa interior, tão bem guardada por cadeados ou trancas sociais.
O problema das utopias
Para mim, pessoalmente, há tempos que a preocupação não é o colapso do comunismo.Ou dos comunismos, já que o marxismo apostava em um determinado tipo de comunismo e o pessoal costuma colocar no mesmo balaio um monte de gente, ditas de esquerda, que nada têm a ver com comunismo. Mesmo sem o "perigo vermelho" o mundo continua muito caótico.A preocupação maior que me vem à mente é o colapso do sistema capitalista e de seus sistemas de representatividade política, levando a eventuais situações de barbárie e caos, com o fim de valores e conceitos democráticos, além dos mais libertários, conquistados a duras penas.Toda forma de utopia carrega em si elementos perigosos de autoritarismo pelo fato de que uma utopia é uma idealização, e idealizações podem levar à alienação da realidade e a manipulação desta por forças e lideranças messiânicas, reformadoras radicais e ditatoriais.Afinal, o nazismo também era utópico e anti-comunista.Por isso, nada impede retrocessos pois as forças destrutivas e de retrocesso sempre estão presentes em qualquer agrupamento ou situação humana coletiva, em qualquer organização econômica, mesmo que essa seja um simples acampamento na praia. A tolerância não costuma ser cultivada no cotidiano. Até mesmo entre intelectuais, coisa que é de se lamentar profundamente. Acho que até mesmo um Platão não era tão tolerante assim com seus pares; apenas acreditava que a iluminação pela razão dialética por si só nos levaria além das sombras da caverna, longe do mundo dos sentidos, esse mesmo mundo que dá a tônica dominante de nosso universo social e econômico modernos..Daí acreditar hoje tão importante relevar o pensamento de um Freud- pensamento pessimista, diga-se a bem da verdade- tanto quanto o de qualquer pensador defensor de socialismo ou capitalismo; por sinal atacado de todos os lados, pró-capitalistas ou pró-socialistas.Como também do pensamento dos individualistas ferozes ao estilo de um Nietzsche, mas sempre com ressalvas.Freud que, por sinal, nada tinha de utópico, apesar de suas inquestionáveis limitações de análise sociológica ou econômica; contudo, acreditando que apenas a razão nos salva..O Freud que foi o que foi por causa dos gregos, tanto quanto Marx também o foi.Pois , como dizia o Sartre velho e próximo da morte, fazemos grandes revoluções e guerras, matando um número inimaginável de pessoas, mas mudamos,no final das contas, pouco a cabeça das pessoas. Daí, talvez, tantos poetas desesperados em nossas histórias literárias.O mundo precisa mais de reflexão do que de doutrinação.E , por aqui, nós sem uma coisa ou outra, restando apenas a esculhambação.
Fases da vida: para os jovens fica sempre expectativa, mesmo em momentos ruins, de se encontrar novas pessoas, amizades ou amores para povoar seu futuro.Para os mais velhos, a expectativa de perder tais coisas com o tempo e ter que povoar sua solidão.
O que pensar antes da morte?
Com frequência me pergunto do que me lembraria, se memória houvesse, pouco antes de minha morte.Quem já não se questionou sobre isso, dado o fato de tal coisa poder definir muito do que sua vida foi.A vida que sempre podia ter sido e não foi.Cada dia elaboro uma lista sobre tal recordação hipotética, às portas do silêncio definitivo.Elencar essas coisas, os fatos relevantes da existência, me faz valorizar eventos do presente, acrescidos aos do passado, já que a morte é futuro-se próximo ou não, impossível mesmo saber nesse momento- e nos resta sempre aproveitar o instante que se apresenta.Penso em paisagens, poemas, sinfonias ou pinturas que me emocionaram, além, claro, da beleza marcante de certas mulheres que conheci ou amei; especialmente quando as via...dançando!Coisas simples sempre têm mais profundidade do que a por nós imaginada.E um instante de beleza sempre será uma marca de eternidade na curta existência nossa.Todo ser humano é uma curta eternidade.Que parece não ter fim quando se vê uma beleza em movimento.
Essa eu ouvi e aprovo: se a função da vida fosse adquirir bens materiais, caso nós nos empenhássemos apenas em fazer isso, a própria vida, dentro do quadro de leis universais que ela traça, se encarregaria de que nós não morrêssemos, agindo dessa forma de acordo com os interesses dela, vida.Mas a vida não está nem aí para isso.Ela apenas existe para vivermos e depois morrermos.O restante não passa de acréscimo material.Que não vira, por sinal, sentimento.O que vira sentimento, vivo, é o que fazemos de nossa vida.Que pode, inclusive, resultar em nada, nem sentimento, nem matéria, nem porcaria alguma.
Assim como definimos muito de nosso presente e futuro, a partir de determinantes de ordem genética, talvez povos, nações ou grupos tenham lá seus componentes genéticos grupais de ordem particular.Claro, uma óbvia abstração em cima de dados biológicos.Contudo, mesmo contra as limitações genéticas, qualquer ser humano pode se esforçar para vencer ou amenizar os efeitos nefastos provenientes dessas limitações.A vontade humana, a vontade de viver, de resistir à morte, tudo isso são coisas misteriosas, causadoras de imprevisíveis resultados que podemos chamar de milagres na existência.Tudo tende para a morte e degradação; não apenas seres vivos, indivíduos, como também idéias, concepções, nações.A transitoriedade é que marca o universo, os processos físicos que estão ao alcance de nossa compreensão, ainda tão limitada.Quanto mais conhecemos algo, mais somos conscientes de nossa ignorância sobre a maior parte desse algo.Vale para pessoas, vale para sentimentos ou ideias, vale para países.
Ainda que considere um tanto errado essa liberdade comparativa, talvez nossa "genética",- deixando claro:a histórica, não a dos indivíduos que fazem a história- nos imponha tarefas muito mais árduas, longas e dolorosas do que sonha nossa vã, embora sempre necessária, imaginação.Sobra a vontade de resistir.Competindo, diariamente, com uma outra, igualmente poderosa, de desistir.Na luta entre civilização e barbárie, no Brasil os elementos desta última têm um acesso no inconsciente e na manipulação de vida das pessoas muito grande.Sem regras, sem ordenação, tudo vira caos.Os deuses gregos surgiram a partir da submissão do caos.Mas ordenação sem equilíbrio de distribuição de riqueza produzida, isonomia de tratamento, sem justiça social, isso inevitavelmente levará apenas a que os genes recessivos de nosso vigoroso tecido histórico- tão cheio de tumores e manchas- o transformem apenas num tecido morto.Ou, talvez, devorado por seres de outra espécie.
Sempre me faço a pergunta: o que restará de mim quando me for dessa vida?Sempre acrescentando outra: e se o Brasil acabasse, o que sobraria dele?Quosque tandem?!
Ainda que considere um tanto errado essa liberdade comparativa, talvez nossa "genética",- deixando claro:a histórica, não a dos indivíduos que fazem a história- nos imponha tarefas muito mais árduas, longas e dolorosas do que sonha nossa vã, embora sempre necessária, imaginação.Sobra a vontade de resistir.Competindo, diariamente, com uma outra, igualmente poderosa, de desistir.Na luta entre civilização e barbárie, no Brasil os elementos desta última têm um acesso no inconsciente e na manipulação de vida das pessoas muito grande.Sem regras, sem ordenação, tudo vira caos.Os deuses gregos surgiram a partir da submissão do caos.Mas ordenação sem equilíbrio de distribuição de riqueza produzida, isonomia de tratamento, sem justiça social, isso inevitavelmente levará apenas a que os genes recessivos de nosso vigoroso tecido histórico- tão cheio de tumores e manchas- o transformem apenas num tecido morto.Ou, talvez, devorado por seres de outra espécie.
Sempre me faço a pergunta: o que restará de mim quando me for dessa vida?Sempre acrescentando outra: e se o Brasil acabasse, o que sobraria dele?Quosque tandem?!
domingo, 12 de novembro de 2017
Meu coração fugiu de mim
Meu coração fugiu de mim
Acordei com um buraco no peito.Êta, onde estava ele, meu coração?
Meu coração, não duvido, é mesmo analfabeto.No sério, ainda não
me convenci que aprendi em que língua a vida fala.A dos instintos
é mais simples, mas sempre dá complicação.Mas, tudo meio em ordem,
imaginava que as coisas andavam no passo lento e duro de cada dia.
Vem então o coração, o que bate sem querer, deixa de fazer isso
também sem querer.Sem o meu querer, lógico.Coração nunca sabe o
que quer.Resolveu partir, à revelia, viajar, sentar pé na estrada.
"Fique aí, em sua doce "poltrona da melancolia" me disse o biltre.
"Tenho mais o que fazer, vivo mais pelo vento e pelo sol", completou.
Tinha fugido, abandonado o latifúndio toráxico, sem aviso prévio,
sem consideração ou perdão.Coração canalha, sempre metido a
volúvel ou vagabundo, como me apronta uma dessas?Sempre desencontrado, sabia sempre onde estava.Procuro
ali e aqui, um vazio maior no peito que aquele que perpassa
a alma naquelas noites de céu escuro e silêncio pétreo,
e nada do danado.Escafedeu-se o sacana, ele, o metido a
senhor de tudo, agora resolvendo sair por conta própria.
Sim, acordei sem meu coração, batimento zero, uma morte
não morte de quem agora é homem sem coração, no meio
de tanta gente sem a mesma coisa.Aí viro carne de vaca?
Sim, sei que até ela está pela hora da morte,essa senhora ainda ausente, que não
chegou nem mesmo sem o coração fujão.Só me faltava essa!
Fugiu, e com o próprio sangue, num canto do banheiro,
deixou um lembrete rubro:¨ vou-me embora, não para
Pasárgada, que ele não é amigo de rei, mas atrás de uma tal Juliana."Ora, fique você aí
que tenho mais o que fazer.Ainda que me faltem asas,
me viro, pondo o próprio sangue em tudo que faço.Vivo de sangue.Arranje
outra forma de bombear o seu.Você, que não passa de um grande tubo digestivo que diz ser gente.
Vou atrás de Juliana,
que já estou farto das planícies de tempo morto,ou de
você, absorto, que se dane em seu reino do estático,
que coração tem mais o que fazer; além de ser apenas bomba escrava da carne,tem que ir além
da planície para ganhar o céu e sentir o calor do sol."
É isso aí, deixou rastro de sangue e fugiu.
Meu coração me deixou e zarpou atrás de Juliana.Eu fiquei por aqui.O coração não.Ele é sempre perdição.
Correu porque tinha de correr, lasque-se se sobrar o buraco, que tudo na vida é sempre um novo
buraco por onde se mergulha,a vida começa e termina em buraco, no fulcro disforme cósmico de ciclos uterinos estelares,
coração nesga de carne maculada e maldita, recolhido em cicatrizes ainda sangrando, correndo
atrás do sonho serpentário vúlvico, da beleza posta e inalcançável de um ser serpenteante´
em sua dança de Cali, o resto postado aos pés da bailarina sacerdotiza da destruição e da
morte.Vai ele em sua desrazão, irmão bastardo de tudo o que se comede na lama obscura da mentira,
vai ele atrás do grande sonho de paz silenciosa uterina, aquela paz que se faz pelo furor
do inferno e do ruído, no mundo que acaba em estrondo.Que fazer!Vai, então coração, vai atrás
dos passos e sombras de Juliana, que jamais encontrará, tanto quanto o corredor de Zenão
passará a tartaruga; talvez, você, missionário da dor e do prazer, também esburacado como criador
de buraco em peito desavisado, coração caçador desarmado, por vezes desalmado, em sua fé sem profeta, acreditando
no impossível, seguirá Juliana, ela sendo o que é sendo o que não é, na contraditória
singularidade de tempo e espaço onde existe esse planeta que um dia acabará, suas palavras juliânicas
e invenções de música de quarteto que soa sinfônica, toda ela mulher e criança, humanamente
indescritível pela impotência do verbo, será uma luz, uma treva, um ser não ser, um isso
de terra prometida em sua geografia corporal de beleza de senda por onde correr, coração
tolo e sábio, o buraco esquecido em meu peito coberto pelo concreto das horas, indo
ao que deve ir.Mesmo não encontrando, o que vale mesmo é a busca.Da floral-carnal
Juliana do amor perdido, do amor de sonho perdido, de todos os sonhos do mundo
guardados nos ventrículos enferrujados pelo descrédito desse coração outrora medroso, agora corajoso.Para ,quem sabe,
solitário e perseguidor, em sua cela de paredes espelhadas, morrer em paz, sonhando
estar nos braços de Juliana.É preciso seguir uma estrela, mesmo que não se chegue
a lugar algum.Alguma poucas horas podem valer a eternidade de uma vida.
Acordei com um buraco no peito.Êta, onde estava ele, meu coração?
Meu coração, não duvido, é mesmo analfabeto.No sério, ainda não
me convenci que aprendi em que língua a vida fala.A dos instintos
é mais simples, mas sempre dá complicação.Mas, tudo meio em ordem,
imaginava que as coisas andavam no passo lento e duro de cada dia.
Vem então o coração, o que bate sem querer, deixa de fazer isso
também sem querer.Sem o meu querer, lógico.Coração nunca sabe o
que quer.Resolveu partir, à revelia, viajar, sentar pé na estrada.
"Fique aí, em sua doce "poltrona da melancolia" me disse o biltre.
"Tenho mais o que fazer, vivo mais pelo vento e pelo sol", completou.
Tinha fugido, abandonado o latifúndio toráxico, sem aviso prévio,
sem consideração ou perdão.Coração canalha, sempre metido a
volúvel ou vagabundo, como me apronta uma dessas?Sempre desencontrado, sabia sempre onde estava.Procuro
ali e aqui, um vazio maior no peito que aquele que perpassa
a alma naquelas noites de céu escuro e silêncio pétreo,
e nada do danado.Escafedeu-se o sacana, ele, o metido a
senhor de tudo, agora resolvendo sair por conta própria.
Sim, acordei sem meu coração, batimento zero, uma morte
não morte de quem agora é homem sem coração, no meio
de tanta gente sem a mesma coisa.Aí viro carne de vaca?
Sim, sei que até ela está pela hora da morte,essa senhora ainda ausente, que não
chegou nem mesmo sem o coração fujão.Só me faltava essa!
Fugiu, e com o próprio sangue, num canto do banheiro,
deixou um lembrete rubro:¨ vou-me embora, não para
Pasárgada, que ele não é amigo de rei, mas atrás de uma tal Juliana."Ora, fique você aí
que tenho mais o que fazer.Ainda que me faltem asas,
me viro, pondo o próprio sangue em tudo que faço.Vivo de sangue.Arranje
outra forma de bombear o seu.Você, que não passa de um grande tubo digestivo que diz ser gente.
Vou atrás de Juliana,
que já estou farto das planícies de tempo morto,ou de
você, absorto, que se dane em seu reino do estático,
que coração tem mais o que fazer; além de ser apenas bomba escrava da carne,tem que ir além
da planície para ganhar o céu e sentir o calor do sol."
É isso aí, deixou rastro de sangue e fugiu.
Meu coração me deixou e zarpou atrás de Juliana.Eu fiquei por aqui.O coração não.Ele é sempre perdição.
Correu porque tinha de correr, lasque-se se sobrar o buraco, que tudo na vida é sempre um novo
buraco por onde se mergulha,a vida começa e termina em buraco, no fulcro disforme cósmico de ciclos uterinos estelares,
coração nesga de carne maculada e maldita, recolhido em cicatrizes ainda sangrando, correndo
atrás do sonho serpentário vúlvico, da beleza posta e inalcançável de um ser serpenteante´
em sua dança de Cali, o resto postado aos pés da bailarina sacerdotiza da destruição e da
morte.Vai ele em sua desrazão, irmão bastardo de tudo o que se comede na lama obscura da mentira,
vai ele atrás do grande sonho de paz silenciosa uterina, aquela paz que se faz pelo furor
do inferno e do ruído, no mundo que acaba em estrondo.Que fazer!Vai, então coração, vai atrás
dos passos e sombras de Juliana, que jamais encontrará, tanto quanto o corredor de Zenão
passará a tartaruga; talvez, você, missionário da dor e do prazer, também esburacado como criador
de buraco em peito desavisado, coração caçador desarmado, por vezes desalmado, em sua fé sem profeta, acreditando
no impossível, seguirá Juliana, ela sendo o que é sendo o que não é, na contraditória
singularidade de tempo e espaço onde existe esse planeta que um dia acabará, suas palavras juliânicas
e invenções de música de quarteto que soa sinfônica, toda ela mulher e criança, humanamente
indescritível pela impotência do verbo, será uma luz, uma treva, um ser não ser, um isso
de terra prometida em sua geografia corporal de beleza de senda por onde correr, coração
tolo e sábio, o buraco esquecido em meu peito coberto pelo concreto das horas, indo
ao que deve ir.Mesmo não encontrando, o que vale mesmo é a busca.Da floral-carnal
Juliana do amor perdido, do amor de sonho perdido, de todos os sonhos do mundo
guardados nos ventrículos enferrujados pelo descrédito desse coração outrora medroso, agora corajoso.Para ,quem sabe,
solitário e perseguidor, em sua cela de paredes espelhadas, morrer em paz, sonhando
estar nos braços de Juliana.É preciso seguir uma estrela, mesmo que não se chegue
a lugar algum.Alguma poucas horas podem valer a eternidade de uma vida.
terça-feira, 31 de outubro de 2017
cultura e política
Cultura e política sempre andam juntas
Artisticamente, tudo chegou tarde no Brasil,
em termos de modernidade: poesia, literatura,
pintura, música, etc.Algumas coisas chegaram
ainda mais tarde, como o cubismo que, trazido
por Ismael Neri-quando esse estilo já era
quase coisa "batida" em terra européia- foi
quase ignorado. Veio a semana de 22.Anita Malfatti
trouxe novidades estilísticas em 1917 que pareceram
aos olhos incultos e atrasados como coisa de outro
planeta.Villa só foi mesmo reconhecido depois de
obter sucesso na Europa.As obras apresentadas
na semana de 22 nem eram tão radicais assim,
perto do que já era feito lá fora.Politicamente,
vivíamos uma espécie de estado híbrido, onde
os traços de escravagismo permeavam as relações
sociais.Não acredito que tenha havido revolução
burguesa no Brasil.Nem poderia ter havido, com
aquele tipo de burguesia que habitava por aqui.
Revoluções demandam um grande tempo e só se
concretizam quando, após longo processo de
luta ideológica, cria-se uma nova mentalidade
de mundo.Senão, ficam sempre em fragilidade e
o retrocesso é inevitável.Vide exemplo russo.
Revoluções, sejam políticas ou culturais,
mudam coisas drasticamente(de forma superficial),
podem matar muita gente e, no final, mudar muito
menos do que se sonhava.Como disse, as coisas
modernas de arte sempre chegaram tarde por aqui.
A escravidão foi embora-foi mesmo?- tarde demais.
Ora, quem disse que a democracia já chegou por
aqui?Democracia, assim como revolução, não é
apenas coisa de papel escrito.Assim como a arte,
não se resume apenas em teoria, precisa de prática.
Por aqui tudo parece que vai lento.A tecnologia
chega mais rápido apenas porque interessa ao
lucro ou ao poder.Política e cultura sempre
andam juntas, indissociáveis.Barbárie política
pode implicar em degeneração cultural.No fundo,
o Brasil viveu sempre e vive uma luta entre
o arcaico e moderno.E o moderno nunca pode,
de fato, ter seu canto no pódio garantido.Uma
luta entre o arcaico e o moderno, seja na arte,
seja na política, seja na vida ou nas relações
sociais.O Brasil é como uma ópera trágica, com
linhas melódicas muito,muito longas que não
se resolvem.E os solos não são equilibrados.
Problemas de amadorismo de escrita.O que
prova que deus não é brasileiro, ou não existe
ou não passa de incompetente.Agora com procuração
na mão de cretinos ou bandidos.Nosso verde deveria
ser vermelho.Quem sabe as queimadas resolvam o
problema e, enfim, sejamos obrigados a por essa
cor(tão presente em tantas bandeiras) no nosso
lindo pendão de desesperança.
Artisticamente, tudo chegou tarde no Brasil,
em termos de modernidade: poesia, literatura,
pintura, música, etc.Algumas coisas chegaram
ainda mais tarde, como o cubismo que, trazido
por Ismael Neri-quando esse estilo já era
quase coisa "batida" em terra européia- foi
quase ignorado. Veio a semana de 22.Anita Malfatti
trouxe novidades estilísticas em 1917 que pareceram
aos olhos incultos e atrasados como coisa de outro
planeta.Villa só foi mesmo reconhecido depois de
obter sucesso na Europa.As obras apresentadas
na semana de 22 nem eram tão radicais assim,
perto do que já era feito lá fora.Politicamente,
vivíamos uma espécie de estado híbrido, onde
os traços de escravagismo permeavam as relações
sociais.Não acredito que tenha havido revolução
burguesa no Brasil.Nem poderia ter havido, com
aquele tipo de burguesia que habitava por aqui.
Revoluções demandam um grande tempo e só se
concretizam quando, após longo processo de
luta ideológica, cria-se uma nova mentalidade
de mundo.Senão, ficam sempre em fragilidade e
o retrocesso é inevitável.Vide exemplo russo.
Revoluções, sejam políticas ou culturais,
mudam coisas drasticamente(de forma superficial),
podem matar muita gente e, no final, mudar muito
menos do que se sonhava.Como disse, as coisas
modernas de arte sempre chegaram tarde por aqui.
A escravidão foi embora-foi mesmo?- tarde demais.
Ora, quem disse que a democracia já chegou por
aqui?Democracia, assim como revolução, não é
apenas coisa de papel escrito.Assim como a arte,
não se resume apenas em teoria, precisa de prática.
Por aqui tudo parece que vai lento.A tecnologia
chega mais rápido apenas porque interessa ao
lucro ou ao poder.Política e cultura sempre
andam juntas, indissociáveis.Barbárie política
pode implicar em degeneração cultural.No fundo,
o Brasil viveu sempre e vive uma luta entre
o arcaico e moderno.E o moderno nunca pode,
de fato, ter seu canto no pódio garantido.Uma
luta entre o arcaico e o moderno, seja na arte,
seja na política, seja na vida ou nas relações
sociais.O Brasil é como uma ópera trágica, com
linhas melódicas muito,muito longas que não
se resolvem.E os solos não são equilibrados.
Problemas de amadorismo de escrita.O que
prova que deus não é brasileiro, ou não existe
ou não passa de incompetente.Agora com procuração
na mão de cretinos ou bandidos.Nosso verde deveria
ser vermelho.Quem sabe as queimadas resolvam o
problema e, enfim, sejamos obrigados a por essa
cor(tão presente em tantas bandeiras) no nosso
lindo pendão de desesperança.
Ernst Barlach, um grande artista vítima da História
Obras de Ernst Barlach.Figura de proa do expressionismo alemão, escultor, gravurista, desenhista, dramaturgo e poeta, Barlach gozou de prestígio nos anos subsequentes à primeira guerra.Com o advento do nazismo, sua obra foi atacada como sendo exemplo de arte degenerada.Obras suas foram retiradas de museus, proibido de expor ou editar.Grande e prolífico artista, morto aos sessenta e oito anos, pouco antes do início da segunda guerra mundial, em 1938.Morreu pobre e esquecido na Alemanha de Hitler.Hoje, cultuado em sua terra natal.Barlach tinha origem eslava e denunciou em seus trabalhos os horrores da primeira guerra, a pobreza e a miséria da Alemanha da depressão.Dotado de profunda religiosidade humanística, tanto suas esculturas como trabalhos gráficos são pungentes, precisos, elegantes e dramáticos..Obras suas participaram da hodienta exposição de arte degenerada, promovida pela canalha de Hitler e seus medíocres acólitos.Suas esculturas, na grande maioria, são feitas em madeira, com a mestria de grande artesão que era.Unia a tradição do primitivo gótico germânico a novas formas de expressão plástica da arte moderna do início do século vinte.Um grande artista, massacrado por um período da história, hoje transformado numa glória da história da arte moderna alemã, do expressionismo e da arte universal.segunda-feira, 16 de outubro de 2017
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